quarta-feira, 4 de março de 2009

Ilha de Itamaracá, Pernambuco



Estava curtindo o carnaval nas ruas do Recife quando ouço ao longe uma canção que dava a impressão ter na estrofe: eu vou pra Ilha, Ilha de Itamaracá... Pus mais atenção e percebi que não era bem isso. O alarme soou; teria que marcar consulta com o otorrino. Mas o estrago já estava feito, a curiosidade havia sido despertada - tinha que conhecer Itamaracá! Claro, não sem antes procurar um médico...


O doutor disse pra eu não me preocupar, era cera e completou; na verdade a estrofe é assim: ♫ eu sou Lia da beira do mar; morena queimada do sal e do sol; da Ilha de Itamaracá; quem conhece a Ilha de Itamaracá; nas noites de Lia; prateando o mar; eu me chamo Lia e vivo por lá; cirandando a vida na beira do mar; cirandando a vida na beira do mar; vejo o firmamento, vejo o mar sem fim; e a natureza ao redor de mim; me criei cantando; entre o céu e o mar; nas praias da Ilha de Itamaracá; nas praias da Ilha de Itamaracá... ♫


Explicou-me que Maria Madalena Correia do Nascimento, a Lia de Itamaracá, nunca ficou rica nem recebeu por suas canções; suas músicas foram registradas ilegalmente por outra pessoa que afirmou: "Esta ciranda quem me deu foi Lia, que mora na Ilha de Itamaracá"; uma grande injustiça!


Na ciranda são usados basicamente instrumentos de percussão. É uma dança onde todos participam, dão as mãos e giram em ciclos e contra-ciclos enquanto entoam cantigas tradicionais. E concluiu, sobre seu ouvido, meu diagnóstico: cotonete basta!


Localizada a nordeste da região metropolitana do Recife, por via terrestre é necessário atravessar o município de Itapissuma e cruzar a única ponte que corta o canal de Santa Cruz, em meio a restingas e coqueiros em viagem de aproximadamente quarenta minutos, foi o que fiz.


A ilha tem formato alongado se estendendo longitudinalmente pela costa, é cortada pela estrada praticamente no meio em direção ao contraforte atlântico. Ali o trânsito é distribuído por uma rotatória que sugere dois destinos.


 A norte chega-se ao centro da vila e no outro sentido segue para as atrações turísticas. Não me detive muito no núcleo urbano, é um conjunto desordenado de casas e pequenos comércios, preferi seguir para o sul.


Além de bens imateriais (a ciranda, por exemplo), a cidade alberga um importante projeto de conservação do Ibama, dedicado aos peixes-boi. Ameaçados de extinção restam apenas 600 animais livres no litoral brasileiro.


Pacatos e vegetarianos os peixes-boi precisam de água salobra pra sobreviver, infelizmente seu habitat vem sendo destruído. Por vezes são feridos por pescadores. Dai o projeto, que tem por objetivo conscientizar a população e preservar a espécie.


Depois que vi os peixes-boi fui conhecer o Forte Orange. Fortaleza construída pelos holandeses durante a invasão a ilha em 1631, foi reconquistada pelos portugueses que mantiveram o traçado original com quatro baluartes.


A edificação se encontra degradada por falta de manutenção. No interior do forte há algumas esculturas em madeira e canhões antigos. É uma pena estar tão descuidado.


Dali segui para a praia de onde sai barco para a Coroa do Avião. O dia não ajudou em nenhum momento, o tempo ficou feio e com mormaço intenso. A ilhota tem origem geológica recente, formada pela alteração da circulação marinha. Dizem que de lá se observa um bonito por-do-sol.


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