Eu e dois amigos, um alemão e um italo-brasileiro resolvemos conhecer Hamburgo e nos programados para passar um final de semana nesta cidade, saindo de Berlim, em viagem de trem entre essas duas cidades-estado da federação alemã. Hoje, em retrospectiva avalio que deveria ter planejado melhor a viagem, com mais tempo para curtir o lugar e tornar esse meu relato mais rico em detalhes. Desembarcamos na moderna estação ferroviária, estávamos com fome e não sabíamos onde nos acomodaríamos.
Ainda agitados pela viagem seguimos pela estreita rua Koppel, quase em frente à saída da estação, e como nesta, em outras vias reparávamos as muitas bicicletas encostadas em árvores ou postes que aguardava seus donos pacientemente, a espera do próximo destino. Não demorou muito e encontramos um café, enquanto comíamos analisávamos o mapa da cidade. Nesse ambiente fizemos um lanche com atmosfera pesada pelos cigarros consumidos no estabelecimento, prática ainda comum para eles, um absurdo! Hamburgo é mais chique que Berlim, um pouco mais esnobe e caro como descobrimos na conta.
Algumas quadras a frente achamos um hotel, ficamos em um sótão descolado que foi adaptado e transformado em quarto, em uma rua residencial colorida e tranqüila. Foi uma boa opção pois estávamos ao lado do lago Auβnalstera o que nos permitia andar a pé até o miolo da cidade as margens do Binnenalster. Tudo era alegre, misterioso e atraente, mas não creio que nossos corações tenham conseguido contagiar o rigoroso frio alemão; o tempo feio e encoberto.
A paisagem de Hamburgo e marcada pelo delta interior do Rio Elba, que forma vários canais menores ao longo da cidade e que foram ocupados por construções antigas. No passado eram usados como ponto de intercâmbio de mercadorias, entregues diretamente nas portas dos comerciantes, em edifícios de tijolos, marca comum na arquitetura local. Esses edifícios preservam ainda hoje essa característica mercantil onde as janelas e portas eram voltadas em direção ao rio, respiando a altura do convés das embarcações da época, o que facilitava o desembarque das mercadorias.
A água e a renovação são elementos que não passam despercebidos, e, desde a reunificação, os alemães não poupam esforços de se tornar cada vez mais prósperos e vanguardistas. Observei um bairro inteiro sendo construído, com prédios de linhas modernas próximo ao eixo principal do Elba, onde está o porto mais importante da Alemanha, distante do mar 100 km. Em meio à paisagem, um mirante de estrutura de ferro permitia aos visitantes contemplar a dimensão do empreendimento que estava sendo realizado na zona portuária, e do alto, para minha surpresa artistas comuns, ou seriam grafiteiros de areia e pedra, registravam marcas que não passavam despercebidas.
Por ser uma cidade portuária, ela se organizou de modo a atender as necessidades dos muitos marinheiros que passavam meses longe de terra firme. Muitas casas noturnas e bares exibem atrativos variados em vitrines vivas onde serviços diferentes são ofertados. Já no lado austero da cidade, ruas comerciais exibem as melhores marcas e sofisticados produtos, em meio a curiosas construções históricas, e claro não faltam parques que fazem a alegria de crianças e adultos!
