domingo, 8 de novembro de 2009

Tshwane: Pretória, África do Sul







Pretória, a cidade onde me perdi! Para mim essa será a eterna lembrança desse lugar fascinante, que mudou de nome e agora é conhecida por Tshwane. Credito minha desorientação a essa mudança, já que não é comum eu me perder nos lugares, mas devo admitir: me perdi! Pretória é a capital administrativa da África do Sul, e foi minha base enquanto estive no interior do país, já que fica localizada próxima a Johannesburgo e a Pilanesberg, sendo a cidade que considero de melhor logística.





A cidade tem uma vida cultural intensa. Existe muito para ver, é limpa, organizada e preserva boa parte da história do país. Um bom ponto de partida para conhecer a cidade é a Church Square, no centro. Nesta praça está localizado o Palácio da Justiça e o Old Raadsaal ou antigo parlamento. Atualmente o prédio é usado como sede da prefeitura, onde é possível retirar mapas e obter informações turísticas. Nesta mesma praça fica o tradicional Café Riche, onde as pessoas influentes se encontravam e discutiam a vida política que era decidida na praça ao lado.




Além do contexto histórico a Church Square guarda outras curiosidades. Algumas pessoas que estavam na praça eram moradores de rua, mas em geral não era muito fácil de identificá-las porque estavam vestindo roupas comuns, na verdade casacos, já que faz muito frio na África do Sul no inverno, e muitos se encontravam na praça sentados tomando Sol. Observava os edifícios quando percebi que em muitas árvores existiam grandes bolsas de pano. Quando fui observar mais de perto pude perceber que se tratava de trouxas de roupas que eram depositadas nesses armários naturais.



Não muito distante encontra-se o State Theatre, um edifício moderno onde acontecem espetáculos e eventos, e em frente amplos pátios onde estão as muitas lojas, em pequenas galerias. O lugar tinha tudo para ser muito agradável, mas nada é perfeito, e vou tentar explicar o que acontece. Por uma questão cultural, os motoristas, principalmente os das vans, estando em movimento ou não ficam chamando a atenção para seus veículos buzinando sem parar. A orquestra nada agradável vai aos poucos minando a paciência das pessoas que não estão acostumadas, e como as peruas se concentram ao redor do prédio – não existe transporte público como o conhecemos na África do Sul – é um Deus nos acuda!




Diferentemente de Johannesburgo, a cidade apresenta muitos jardins e áreas verdes. Um desses espaços é o Union Buildings, residência e palácio presidencial sul-africano, em estilo vitoriano, localizado em uma colina que permite observar a cidade e seus bonitos jardins com plantas da flora nativa do país. Podendo, tire algum tempo contemplando a cidade ou observe a pequena feira de artesanato que existe em frente ao palácio.



Um ponto que gostaria de destacar na cidade é o Museu de Arte Moderna de Petrória, edifício de linhas modernistas cercado por um amplo jardim, onde conheci o trabalho do artista sul-africano Mbongeni Buthelezi, que usa pedaços de plásticos que provavelmente seriam descartados, dando forma a paisagens e retratos. Infelizmente não pude tirar fotos das obras, mas quem sabe algum dia não compre uma obra dele, ou pelo menos, o encontre em alguma outra galeria do mundo...




Nos arredores de Pretória, seguindo pela R 21 em direção a Johannesburgo, em numa estrada secundária e sinuosa de nome Johan Rissik, fica o Forte Klapperkop, com uma forma incomum, camuflado no alto de uma montanha que servia para a defesa da cidade. Nos arredores do forte, atualmente existem muitas casas típicas de subúrbios, e com paisagem amarelada marcada por savana, pode ser uma grata surpresa. Nessas andanças observei um tipo característico de gramínea espinhenta, que de tão bela fiz um papel de parede!




quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Hamburgo, Alemanha






Eu e dois amigos, um alemão e um italo-brasileiro resolvemos conhecer Hamburgo e nos programados para passar um final de semana nesta cidade, saindo de Berlim, em viagem de trem entre essas duas cidades-estado da federação alemã. Hoje, em retrospectiva avalio que deveria ter planejado melhor a viagem, com mais tempo para curtir o lugar e tornar esse meu relato mais rico em detalhes. Desembarcamos na moderna estação ferroviária, estávamos com fome e não sabíamos onde nos acomodaríamos.


Ainda agitados pela viagem seguimos pela estreita rua Koppel, quase em frente à saída da estação, e como nesta, em outras vias reparávamos as muitas bicicletas encostadas em árvores ou postes que aguardava seus donos pacientemente, a espera do próximo destino. Não demorou muito e encontramos um café, enquanto comíamos analisávamos o mapa da cidade. Nesse ambiente fizemos um lanche com atmosfera pesada pelos cigarros consumidos no estabelecimento, prática ainda comum para eles, um absurdo! Hamburgo é mais chique que Berlim, um pouco mais esnobe e caro como descobrimos na conta.



Algumas quadras a frente achamos um hotel, ficamos em um sótão descolado que foi adaptado e transformado em quarto, em uma rua residencial colorida e tranqüila. Foi uma boa opção pois estávamos ao lado do lago Auβnalstera o que nos permitia andar a pé até o miolo da cidade as margens do Binnenalster. Tudo era alegre, misterioso e atraente, mas não creio que nossos corações tenham conseguido contagiar o rigoroso frio alemão; o tempo feio e encoberto.


A paisagem de Hamburgo e marcada pelo delta interior do Rio Elba, que forma vários canais menores ao longo da cidade e que foram ocupados por construções antigas. No passado eram usados como ponto de intercâmbio de mercadorias, entregues diretamente nas portas dos comerciantes, em edifícios de tijolos, marca comum na arquitetura local. Esses edifícios preservam ainda hoje essa característica mercantil onde as janelas e portas eram voltadas em direção ao rio, respiando a altura do convés das embarcações da época, o que facilitava o desembarque das mercadorias.



A água e a renovação são elementos que não passam despercebidos, e, desde a reunificação, os alemães não poupam esforços de se tornar cada vez mais prósperos e vanguardistas. Observei um bairro inteiro sendo construído, com prédios de linhas modernas próximo ao eixo principal do Elba, onde está o porto mais importante da Alemanha, distante do mar 100 km. Em meio à paisagem, um mirante de estrutura de ferro permitia aos visitantes contemplar a dimensão do empreendimento que estava sendo realizado na zona portuária, e do alto, para minha surpresa artistas comuns, ou seriam grafiteiros de areia e pedra, registravam marcas que não passavam despercebidas.


Por ser uma cidade portuária, ela se organizou de modo a atender as necessidades dos muitos marinheiros que passavam meses longe de terra firme. Muitas casas noturnas e bares exibem atrativos variados em vitrines vivas onde serviços diferentes são ofertados. Já no lado austero da cidade, ruas comerciais exibem as melhores marcas e sofisticados produtos, em meio a curiosas construções históricas, e claro não faltam parques que fazem a alegria de crianças e adultos!





quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Miraflores, Peru







No coração de Miraflores existe uma praça chamada Parque Kennedy, ou simplesmente Ovalo de Miraflores, onde as pessoas se concentram ao redor de bares, teatros e casas noturnas da região. Na praça as pessoas podem comer um delicioso turrón, doce típico peruano, enquanto vêem grupos dançando músicas típicas, ou percorrem a feira de artesanato que funciona até a noite. Essa parte da cidade pulsa e a partir desse ponto central é possível percorrer outros pontos de interesse próximos.




A algumas quadras existem pequenas lojas, localizadas dentro de magazines, com uma ampla gama de produtos típicos peruanos: cerâmicas, pinturas, pratarias, têxteis, reproduções dos antigos povos que ocupavam onde hoje é o Peru e retablos que são pequenos oratórios coloridos que representam a vida cotidiana do povo. Essas lojas atendem a demanda crescente de turistas que visitam a municipalidade de Miraflores, região administrativa autônoma e subordinada a Região Metropolitana de Lima.





Muitos não sabem, mas o nome Lima designa uma antiga cultura, a cultura Lima, que deixou marcas na paisagem local, o que pode ser observado na Huaca Pucllana, aberta a visitação. Local de cerimônias religiosas e concentração dessa população que adorava o tubarão e os elementos do mar, se encontra parcialmente encoberta por regolito. Recentes iniciativas tentam recuperar esse importante patrimônio que estava sendo destruído seja pela especulação imobiliária, ou por atividades de lazer, onde as pessoas faziam motocross sobre as ruínas, por não saber da existência desse antigo patrimônio encoberto pelas areias.




Miraflores está localizada no litoral debruçada sobre um costão de altitude superior a 30 metros que separa a cidade da praia, permitindo um olhar diferente do oceano. Ao longo desse paredão existem alguns parques onde são desenvolvidas atividades como parapente, pessoas caminhando, ou simplesmente observando a paisagem. Mesmo em dias quentes não esqueça de andar com agasalhos já que a temperatura tende a cair ao anoitecer, mas não se preocupe quanto a chuva, pois a última com intensidade digna para receber esse nome ocorreu em 1970.





Não muito afastado de Miraflores fica a boêmia Barranco, outra localidade pertencente a Lima, na verdade municipalidade. No Peru funciona assim, cada departamento é dividido em províncias e distritos. Barranco e Miraflores são distritos, que equivalem aos bairros da antiga cidade-estado da Guanabara, só que com um diferencial, tem autonomia política, sendo consideradas como prefeituras. Assim, estando em Lima não estranhe que ao cruzar algumas ruas vocês estará mudando de cidade mesmo estando na mesma cidade. Entendeu? Se não, tudo bem, são conceitos geopolíticos complexos...





Acessar o litoral não é uma tarefa fácil tendo em vista o costão, mas tinha como meta chegar na praia, e consegui chegar por um acesso em Barranco. Uma das características das praias de Lima são as pedras arredondadas que são muito bonitas mas que machucam o pé até alcançarmos a águas, e depois piora, com as ondas removendo as pedrinhas que acertam em cheio pés e calcanhares. O melhor a se fazer é se afastar um pouco e observar a beleza do local e ouvir o barulho das pedrinhas no ir e vir das ondas do mar. Creio ser um barulho que poucos ouvem, por já ter se tornardo cotidiano aos ouvidos, e que por isso atrai mais a atenção dos turistas que se encantam com a bonita orquestra.





quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Nasca, Peru






Quando cheguei do Peru, em geral uma das primeiras coisas que perguntam, é se eu fui à Machu Pichu. E foi comum notar nos rostos dos meus interlocutores a surpresa ao dizer que enquanto estive lá não fui, não por falta de interesse, mas por questões logísticas. O Peru é dividido em três grandes regiões: Costa, Serra e Selva. Como me encontrava na zona costeira resolvi explorá-la, seguindo em direção ao sul de Lima. Comprei a passagem de ônibus em um mercado chamado Metro. No guichê vendia também ingressos para shows e outras atividades turísticas. Fica registrada a dica.




A viagem de sete horas de ônibus percorre 445 km e faz paradas nas cidades de Ica e de Paracas. Em geral não gosto de viagens longas de ônibus, mas essa se mostrou atrativa pela paisagem árida incomum em sua forma e extensão. Pensava comigo como pode um deserto ser tão bonito e tão estéril ao mesmo tempo. Esse e outros pensamentos me mantinham concentrado durante todo o trajeto. Observar ajudou-me a entender questões geomorfológicas que conhecia somente no plano teórico.





Quando cheguei finalmente a Nasca, pude perceber que esta ainda mantinha aspecto de pequena vila, e, na verdade, nada a diferenciava de outras tantas pequenas cidades. A cidade tem pequena dimensão, com uma pracinha e uma via principal, onde se concentram os serviços de restaurante, lojinhas e agências de turismo que oferecem o voo para ver a Linha de Nasca. Disseram que a cidade estava se recuperando do terremoto de 2007 que arrasou muita das construções existentes, afetando seu cotidiano. Mas não creio que o terremoto tenha sido o responsável pelo relativo atraso da cidade.





Dirigi-me ao aeroporto a fim de fazer o passeio, entrei em um bimotor e iniciamos o sobrevoo que tem aproximadamente 30 minutos de duração. Hoje teria feito o passeio de outra forma, me preparando melhor antes, principalmente para conseguir reconhecer os geoglifos desenhados no chão. Tinha por vezes dificuldade de reconhecê-los, e ao mesmo tempo em que observava, procurava tirar fotos para registrar o momento. É meio decepcionante quando se chega em casa e ao revisar as fotos do passeio perceber que muitas não saem limpas, outras tremidas e muitas irreconhecíveis. Demorei algum tempo, seja em voo ou revisando as fotos, em localizar um dos muitos desenhos. Na foto abaixo, tive que ampliar para tornar possível a identificação das figuras.




Então fica a dica, antes de subir no avião recomendo que compre em uma loja de artesanato, pode ser a do aeroporto mesmo, umas das pedras artesanais que trazem reproduções dos geoglifos de Nasca. Pode ser o macaco, a baleia, o papagaio, o albatroz, entre tantos outros. Há muitos! Aproveite também para estudar o plano de voo do avião para que você tenha uma noção prévia do que irá observar.




De volta à cidade, observei que muitas das casas eram cobertas com uma espécie de esteira que servia de telhado, mas que também era utilizada em paredes ou em muros. Como a região é muito seca e praticamente não chove é uma alternativa conveniente, e algo realmente típico dessa região. Enquanto regressava do aeroporto passei em uma espécie de oficina onde eram confeccionadas as esteiras. Achei artesanalmente muito interessante o trabalho.




Andei mais um pouco pelas ruas de Nasca, observei alguns hotéis, e de alguma maneira achei que tinha cumprido meu objetivo na cidade. Observei do alto a estrutura geológica do relevo, tive a oportunidade de ver um tornado que havia se formado durante o sobrevoo, vi as linhas e os geoglifos e observei construções interessantes. Achei que poderia continuar aproveitando a viagem, e seguir rumo a outra cidade...