quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Hamburgo, Alemanha






Eu e dois amigos, um alemão e um italo-brasileiro resolvemos conhecer Hamburgo e nos programados para passar um final de semana nesta cidade, saindo de Berlim, em viagem de trem entre essas duas cidades-estado da federação alemã. Hoje, em retrospectiva avalio que deveria ter planejado melhor a viagem, com mais tempo para curtir o lugar e tornar esse meu relato mais rico em detalhes. Desembarcamos na moderna estação ferroviária, estávamos com fome e não sabíamos onde nos acomodaríamos.


Ainda agitados pela viagem seguimos pela estreita rua Koppel, quase em frente à saída da estação, e como nesta, em outras vias reparávamos as muitas bicicletas encostadas em árvores ou postes que aguardava seus donos pacientemente, a espera do próximo destino. Não demorou muito e encontramos um café, enquanto comíamos analisávamos o mapa da cidade. Nesse ambiente fizemos um lanche com atmosfera pesada pelos cigarros consumidos no estabelecimento, prática ainda comum para eles, um absurdo! Hamburgo é mais chique que Berlim, um pouco mais esnobe e caro como descobrimos na conta.



Algumas quadras a frente achamos um hotel, ficamos em um sótão descolado que foi adaptado e transformado em quarto, em uma rua residencial colorida e tranqüila. Foi uma boa opção pois estávamos ao lado do lago Auβnalstera o que nos permitia andar a pé até o miolo da cidade as margens do Binnenalster. Tudo era alegre, misterioso e atraente, mas não creio que nossos corações tenham conseguido contagiar o rigoroso frio alemão; o tempo feio e encoberto.


A paisagem de Hamburgo e marcada pelo delta interior do Rio Elba, que forma vários canais menores ao longo da cidade e que foram ocupados por construções antigas. No passado eram usados como ponto de intercâmbio de mercadorias, entregues diretamente nas portas dos comerciantes, em edifícios de tijolos, marca comum na arquitetura local. Esses edifícios preservam ainda hoje essa característica mercantil onde as janelas e portas eram voltadas em direção ao rio, respiando a altura do convés das embarcações da época, o que facilitava o desembarque das mercadorias.



A água e a renovação são elementos que não passam despercebidos, e, desde a reunificação, os alemães não poupam esforços de se tornar cada vez mais prósperos e vanguardistas. Observei um bairro inteiro sendo construído, com prédios de linhas modernas próximo ao eixo principal do Elba, onde está o porto mais importante da Alemanha, distante do mar 100 km. Em meio à paisagem, um mirante de estrutura de ferro permitia aos visitantes contemplar a dimensão do empreendimento que estava sendo realizado na zona portuária, e do alto, para minha surpresa artistas comuns, ou seriam grafiteiros de areia e pedra, registravam marcas que não passavam despercebidas.


Por ser uma cidade portuária, ela se organizou de modo a atender as necessidades dos muitos marinheiros que passavam meses longe de terra firme. Muitas casas noturnas e bares exibem atrativos variados em vitrines vivas onde serviços diferentes são ofertados. Já no lado austero da cidade, ruas comerciais exibem as melhores marcas e sofisticados produtos, em meio a curiosas construções históricas, e claro não faltam parques que fazem a alegria de crianças e adultos!





quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Miraflores, Peru







No coração de Miraflores existe uma praça chamada Parque Kennedy, ou simplesmente Ovalo de Miraflores, onde as pessoas se concentram ao redor de bares, teatros e casas noturnas da região. Na praça as pessoas podem comer um delicioso turrón, doce típico peruano, enquanto vêem grupos dançando músicas típicas, ou percorrem a feira de artesanato que funciona até a noite. Essa parte da cidade pulsa e a partir desse ponto central é possível percorrer outros pontos de interesse próximos.




A algumas quadras existem pequenas lojas, localizadas dentro de magazines, com uma ampla gama de produtos típicos peruanos: cerâmicas, pinturas, pratarias, têxteis, reproduções dos antigos povos que ocupavam onde hoje é o Peru e retablos que são pequenos oratórios coloridos que representam a vida cotidiana do povo. Essas lojas atendem a demanda crescente de turistas que visitam a municipalidade de Miraflores, região administrativa autônoma e subordinada a Região Metropolitana de Lima.





Muitos não sabem, mas o nome Lima designa uma antiga cultura, a cultura Lima, que deixou marcas na paisagem local, o que pode ser observado na Huaca Pucllana, aberta a visitação. Local de cerimônias religiosas e concentração dessa população que adorava o tubarão e os elementos do mar, se encontra parcialmente encoberta por regolito. Recentes iniciativas tentam recuperar esse importante patrimônio que estava sendo destruído seja pela especulação imobiliária, ou por atividades de lazer, onde as pessoas faziam motocross sobre as ruínas, por não saber da existência desse antigo patrimônio encoberto pelas areias.




Miraflores está localizada no litoral debruçada sobre um costão de altitude superior a 30 metros que separa a cidade da praia, permitindo um olhar diferente do oceano. Ao longo desse paredão existem alguns parques onde são desenvolvidas atividades como parapente, pessoas caminhando, ou simplesmente observando a paisagem. Mesmo em dias quentes não esqueça de andar com agasalhos já que a temperatura tende a cair ao anoitecer, mas não se preocupe quanto a chuva, pois a última com intensidade digna para receber esse nome ocorreu em 1970.





Não muito afastado de Miraflores fica a boêmia Barranco, outra localidade pertencente a Lima, na verdade municipalidade. No Peru funciona assim, cada departamento é dividido em províncias e distritos. Barranco e Miraflores são distritos, que equivalem aos bairros da antiga cidade-estado da Guanabara, só que com um diferencial, tem autonomia política, sendo consideradas como prefeituras. Assim, estando em Lima não estranhe que ao cruzar algumas ruas vocês estará mudando de cidade mesmo estando na mesma cidade. Entendeu? Se não, tudo bem, são conceitos geopolíticos complexos...





Acessar o litoral não é uma tarefa fácil tendo em vista o costão, mas tinha como meta chegar na praia, e consegui chegar por um acesso em Barranco. Uma das características das praias de Lima são as pedras arredondadas que são muito bonitas mas que machucam o pé até alcançarmos a águas, e depois piora, com as ondas removendo as pedrinhas que acertam em cheio pés e calcanhares. O melhor a se fazer é se afastar um pouco e observar a beleza do local e ouvir o barulho das pedrinhas no ir e vir das ondas do mar. Creio ser um barulho que poucos ouvem, por já ter se tornardo cotidiano aos ouvidos, e que por isso atrai mais a atenção dos turistas que se encantam com a bonita orquestra.





quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Nasca, Peru






Quando cheguei do Peru, em geral uma das primeiras coisas que perguntam, é se eu fui à Machu Pichu. E foi comum notar nos rostos dos meus interlocutores a surpresa ao dizer que enquanto estive lá não fui, não por falta de interesse, mas por questões logísticas. O Peru é dividido em três grandes regiões: Costa, Serra e Selva. Como me encontrava na zona costeira resolvi explorá-la, seguindo em direção ao sul de Lima. Comprei a passagem de ônibus em um mercado chamado Metro. No guichê vendia também ingressos para shows e outras atividades turísticas. Fica registrada a dica.




A viagem de sete horas de ônibus percorre 445 km e faz paradas nas cidades de Ica e de Paracas. Em geral não gosto de viagens longas de ônibus, mas essa se mostrou atrativa pela paisagem árida incomum em sua forma e extensão. Pensava comigo como pode um deserto ser tão bonito e tão estéril ao mesmo tempo. Esse e outros pensamentos me mantinham concentrado durante todo o trajeto. Observar ajudou-me a entender questões geomorfológicas que conhecia somente no plano teórico.





Quando cheguei finalmente a Nasca, pude perceber que esta ainda mantinha aspecto de pequena vila, e, na verdade, nada a diferenciava de outras tantas pequenas cidades. A cidade tem pequena dimensão, com uma pracinha e uma via principal, onde se concentram os serviços de restaurante, lojinhas e agências de turismo que oferecem o voo para ver a Linha de Nasca. Disseram que a cidade estava se recuperando do terremoto de 2007 que arrasou muita das construções existentes, afetando seu cotidiano. Mas não creio que o terremoto tenha sido o responsável pelo relativo atraso da cidade.





Dirigi-me ao aeroporto a fim de fazer o passeio, entrei em um bimotor e iniciamos o sobrevoo que tem aproximadamente 30 minutos de duração. Hoje teria feito o passeio de outra forma, me preparando melhor antes, principalmente para conseguir reconhecer os geoglifos desenhados no chão. Tinha por vezes dificuldade de reconhecê-los, e ao mesmo tempo em que observava, procurava tirar fotos para registrar o momento. É meio decepcionante quando se chega em casa e ao revisar as fotos do passeio perceber que muitas não saem limpas, outras tremidas e muitas irreconhecíveis. Demorei algum tempo, seja em voo ou revisando as fotos, em localizar um dos muitos desenhos. Na foto abaixo, tive que ampliar para tornar possível a identificação das figuras.




Então fica a dica, antes de subir no avião recomendo que compre em uma loja de artesanato, pode ser a do aeroporto mesmo, umas das pedras artesanais que trazem reproduções dos geoglifos de Nasca. Pode ser o macaco, a baleia, o papagaio, o albatroz, entre tantos outros. Há muitos! Aproveite também para estudar o plano de voo do avião para que você tenha uma noção prévia do que irá observar.




De volta à cidade, observei que muitas das casas eram cobertas com uma espécie de esteira que servia de telhado, mas que também era utilizada em paredes ou em muros. Como a região é muito seca e praticamente não chove é uma alternativa conveniente, e algo realmente típico dessa região. Enquanto regressava do aeroporto passei em uma espécie de oficina onde eram confeccionadas as esteiras. Achei artesanalmente muito interessante o trabalho.




Andei mais um pouco pelas ruas de Nasca, observei alguns hotéis, e de alguma maneira achei que tinha cumprido meu objetivo na cidade. Observei do alto a estrutura geológica do relevo, tive a oportunidade de ver um tornado que havia se formado durante o sobrevoo, vi as linhas e os geoglifos e observei construções interessantes. Achei que poderia continuar aproveitando a viagem, e seguir rumo a outra cidade...





domingo, 4 de outubro de 2009

Porto Alegre, Rio Grande do Sul







Bastou a conjunção astral de um feriado com uma promoção de passagem aérea e o destino estava traçado, falei brevemente com um amigo, que de imediato concordou com o nosso passeio, ele queria visitar amigos de infância, arrumamos as malas e viajamos para Porto Alegre. Do aeroporto para a cidade pegamos um táxi e no caminho vimos uma das atrações locais, a Estatua do Laçador. A cidade era um pouco diferente do que eu imaginava e com certeza a melhor capital do sul do Brasil. Tem um ar de metrópole provinciana que muito me agrada, sendo compacta e charmosa.


Um casal de amigos nos recebeu e nos ciceronearam com muita alegria. Demos uma volta pela cidade de carro, comemos em uma tradicional churrascaria e depois rumamos para o Rio Guaíba. Ao longo do rio é possíveis ver a vida da cidade acontecendo, os parques, o Beira-rio e o Museu Iberê Camargo, com suas linhas modernas e acervo interessante. Foi muito legal ver a cidade em ângulos diferentes, como a foto tirada de dentro do Iberê. Em pouco tempo já me sentia um nativo e andava com facilidade pelas ruas.





Tirei um dia pra andar pela cidade, principalmente no centro histórico. Gosto muito de explorar os lugares da cidade ir descobrindo seus mistérios; no meio das andanças cheguei na Usina do Gasômetro, uma antiga termelétrica convertida em pavilhão cultural. Por coincidência, no dia estava acontecendo a 4º edição do Anime Sul, o local estava cheio, principalmente de adolescentes que se fantasiavam de personagens de desenhos ou em figuras misteriosas. Próximo dali, na Rua dos Andradas, ficam a maioria dos pontos de interesse cultural.




Sempre pensei que, que para se conhecer bem o povo de um lugar, basta ir ao mercado e observar como as pessoas agem. E como estava com um pouco de fome me dirigi ao Mercado Público. No burburinho do mercado, ao som cantado dos gaúchos, os mercadores atenciosos de cada estande, com todos os tipos de elementos gauchescos, exclamam os tradicionais Báh e Tribom para exaltar as qualidades dos víveres. Fiz como os gaúchos e comi uma salada de fruta, que é vendida em muitos estabelecimentos, algo incomum em outras partes do país. De lá segui para o Centro Cultural Mário Quintana.





Os gaúchos guardam com muita intensidade e mantém com orgulho as suas tradições. Essa ida ao mercado suscitou muitas perguntas e aguçou mais minha curiosidade sobre essa gente. Afinal, seria a carne de charque o mesmo que carne seca ou carne de sol? Um pequeno resumo da história do Rio Grande do Sul pode ser descoberto, próximo à Praça da Alfândega, onde museus e centros culturais descrevem um pouco do patrimônio histórico e artístico do estado, tudo pertinho do Mercado.




Em outro extremo, no bairro Moinho de Ventos se concentram os melhores bares e o comércio mais sofisticado, na chamada Calçada da Fama, que na verdade é um rua. Próximo a calçada existe um lugar chamado de Parcão, apelido dado ao parque Moinho de Ventos, onde é possível ver um moinho remanescente do período em que os açorianos trouxeram as moendas de trigo, e que batizou o bairro. Algo que chama atenção é ver os grupos de amigos que se reúnem no gramado do parque para compartilhar o chimarrão enquanto conversam e se aquecem ao Sol.



Já no boêmio bairro Cidade Baixa, com vários barzinhos com mesas na calçadas e casas noturnas na Lima e Silva, principal via de ferveção, há uma feira que ocorre semanalmente aos sábados e domingos no chamado Brique da Redenção, no qual as pessoas costumam se concentrar para ver itens de artesanato, feira de ortifrutigranjeiros, produtos coloniais, antiguidades (mercado das pulgas), além feira dos artistas. Próximo a feira há o famoso Parque da Redenção, com seu arco na entrada, fosso artificial e chafariz, muito arborizado e dotado de um pequeno zoológico onde vemos algumas aves e macacos que divertem as crianças. Mas tome muito cuidado, porque a noite pode ser perigoso, já que os parques em Porto Alegre não são cercados.

Voltando ao Centro, temos também a Praça Marechal Deodoro, popularmente conhecida como Praça da Matriz, que recebe esse apelido graças a Igreja da Matriz, que fica defronte a praça. Ao redor dessa praça se situam as 3 instâncias de poder estadual: o Palácio Piratini, sede do executivo; a Assembléia Legislativa e Tribunal de Justiça do Estado. Também temos no entorno da praça o famoso Teatro São Pedro. Na bonita praça da matriz, casais se formam, crianças brincam, amigos se encontram e do alto dos galhos, ou da estátua pombos observam os que vivem esse conto de fadas!